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Arquivo para a categoria ‘Antigas’

“Provocação do Anjo” ou “A Loucura de Isaac” (2009)

Olá, Isaac!

No que você esta pensando? Quem eu sou?

Vocês nos chamam de tantas coisas…já nos chamaram de Anjos, Demônios, Deuses, profetas, iluminados, Forças, Natureza, Extraterrestres, Deus…Pai…Mãe…háaaaa! Isaac…meu caro…vocês se preocupam tanto com nomes.

Nós, definitiva e simplesmente: Somos.

Somos o que chamam de “seres” diferentes de vocês, que vocês gostariam de chamar de: “superiores”.

Háhahahaha…ahhh…vocês têm tanto medo, Isaac, que precisam acreditar que somos bons, que somos justos, que vamos protegê-los…ahhh…vocês morrem de medo.

Têm tanto medo de tudo que passam seu curto período de tempo na Terra juntando garantias e estabilidades…riqueza…poder……quanta frugalidade, Isaac,…vês o que faço?

[Os céus se tornam chamas]

Não estão tão garantidos assim.

E agora você, meu querido Isaac, me olha escondendo seu terror sob essas sombracelhas franzidas…

Você MENTE para si mesmo Isaac!…e nem se dá conta. Mas, você não pode mentir para mim. Eu vejo.

Isaac, você já treinou um cachorro?…Eu sei. É como isso, Isaac. Para o cachorro era uma linguagem tão complexa…ele demorou tanto…para você aquilo era tão banal e entediante. Mas você o fez entender. Hoje é um cachorro “educado”.

Assim é com você Isaac. Você nem imagina a nossa linguagem, mas eu tenho que me comunicar com você; só que para nós, Isaac, não há tal coisa: tediosa. Falo com você porque Posso, porque Quero, porque Sei.

Em minha língua – para que tu entendas – não há tal coisa como dizer, ou ouvir. Nós sabemos. Consegues entender a diferença, Isaac, entre dizer e saber? Quão instantâneos podemos ser?

É engraçado não é…

Pergunta-se agora: quão perverso sou eu para fazer o que faço? Quão grande e imensamente cruel eu sou?

Não, querido Isaac, a mim não se encaixam tais tolices como crueldade, grandeza…vocês…, Isaac, são tão previsíveis.

Se lhes dou felicidade, sorriem. Se lhes dou dor, choram. O que estás pensando Isaac? Ainda achas que pensas? EU FAÇO COM QUE VOCES ACREDITEM QUE SEUS PENSAMENTOS SÃO SEUS!

Hahahahahahahahah

Que desespero Isaac!

Quem é você? O que é você? Hahahhahahahahahaha

Que tristeza meu querido…Não há solução no que chamam de “lógica”.

“Quem eu sou?” De novo, Isaac!

A nós não existe tal coisa como ser alguma outra coisa! Somos.

Porque falo no plural? Plural?! Hahahahah

Ainda achas, Isaac, que cabe tal COISA COMO UM “EU”?! Essa sua pequena ilusão de pessoalidade…essa MERA CONTINGÊNCIA!!!

Ah, Isaac, não se desespere…

Daqui há meia-hora já não estará sob essa experiência…em dois dias acharás que teve um lapso de loucura. Sua experiência é tão restrita, Isaac.

E agora?

Quão patéticos somos nós.

Achas que há um propósito maior? Algo como especial?

Quão patéticos somos todos. Vidas vagando sem rumo.

Achas que há tal coisa como vivos e não-vivos? Vida e inércia?

Do que estamos falando, Isaac?

Acorde!

 

 

http://pt.wikipedia.org/wiki/Isaac

sem nome

A lua corre, tímida e nua,

De trás de uma árvore para outra

Enquanto eu passo.

E as árvores, em outro momento

Tão duras e desconcertadas,

Pedem que o Vento venha e dance com Elas.

2006 (outra)

Não me comporto mais em função das coisas do mundo,

Mas, de acordo com elas.

Não me submeto mais.

Me adapto.

Não me pretendo Grande Homem,

Mas, faço o que fizer com o tamanho que tenho.

Labirintos Acadêmicos (antiga)

Dê um nome àquilo que digo

Se o que eu digo que digo não é de fato o que falo.

(E o que falo que digo sem dizer?)

Falo do que disse aonde eu não falo,

Se digo o não dito naquilo que calo.

Digam me agora o que é que eu disse,

Se aquilo não é o fato que digo?

O que é aquilo além daquilo que é o outro,

Aquilo mesmo?

Nada além daquela coisa, que não falo que digo,

Mais calo que falo.

Se digo daquilo, aquilo não é.

Sendo outro também o que eu disse que calo.

Se falo do fato, de fato, não falo.

Me calo no ato do fato que falo!

Ao dizer que não sabem, e que, sabem de tudo por nada que falam.

Não sei.

Não saber implica no fato

De saber do fato o ato que calo.

Se digo “não sei”, e sei o que digo,

O que digo não disse, se digo, me “mato”.

Mas e o fato, o que digo?

O fato que falo ou o fato que faço?

Eu faço o fato na hora que falo, ou calo?

Não falo o que faço…

Não dito o que disse…

…ao passo que falo.

E, Foda-se tudo.

2006

Me agarro, completamente tolo

Aos pedaços de mim que reconheço.

Ando o mundo dado, planejado para mim,

Com pedaços de mim que reconheço.

Como se eu esperasse – e é isso: eu espero.

Um momento em que fizesse sentido

Romper com todo o rio desenhado do cotidiano

Para começar a ser quem eu Sou.

Qualquer dia desses acordo morto,

E não levei nada de mim.

Últimas Palavras (Antiga)

Nada trágico,

Nada heróico,

Nenhuma contribuição fundamental ao mundo.

Chega de esforços contra mim mesmo.

Sem Budismos, Cristianismos, ou seja:

Sem Instituições.

Também: um beijo à Psicologia.

Não preciso largar nem não largar.

Eu uso.

Sem Glórias ou Façanhas.

Cansei.

Sem outros também. Sem outros.

“É uma questão de se entregar a si mesmo”, disse.

Sem bela poesia.

Sacrifico todo esforço por Iluminação.

Sacrifico todo esforço para ser Senhor de Mim.

Sacrifico as palavras.

Sacrifico as contenções e os excessos.

Sacrifico isso aqui.

Um beijo para minha Família querida,

Um beijo para as Mulheres queridas,

Um beijo para meus Irmãos.

Ação (antiga)

Quando em algum momento de derrota minha

Forem me dizer que: “talvez seja melhor assim”,

Calem a boca.

Não me falem de Deus, de Providência ou Destino

Não me falem que no final tudo dará certo.

Não me falem das suas tolices invisíveis

Porque elas assombram a minha cabeça.

 

Me atrapalha pensar em vidas passadas,

Karma bom ou ruim,

Bondade ou Maldade,

Justiça ou Injustiça,

Certo ou Errado.

 

Não me falem mais das doenças humanas comuns

Como a fé, a esperança e as expectativas.

São doenças porque os tornam fracos. Doenças invisíveis.

Não é o fato de todos compartilharem tolamente dessas bobagens

Que as faz deixar de serem doenças.

O fato de uma coisa ser comum ou incomum não diz nada sobre seu valor.

Por mais que os economistas digam o contrário.

 

Um mestre disse uma vez:

“Os homens abrirão mão de tudo, menos de seu próprio sofrimento”.

Não será bonito para vocês se um dia meu coração se soltar.

 

A única coisa que existe no mundo é a Ação,

A Emoção que move a Ação,

E o Pensamento que torna a Ação Eficaz.

É uma questão de se entregar a si mesmo.

 

A raiva é um sentimento infantil e burro,

O desejo é a submissão ao que falta,

O egoísmo e a ganância são para os que não sabem que o valor e o uso são a mesma coisa,

O medo é para os que não abrem mão de tentar controlar o mundo,

A euforia é a tolice dos deslumbrados,

A vingança é para os que não abandonam o lugar de vítimas,

Todos esses são atestados de impotência.

Todos esses são tolices, pois são ineficazes,

Atrapalham a Ação.

Grato (antiga)

Sou eternamente Grato à meus Irmãos

Grato, que vem de GRAÇA. Não de “obrigado”. Porque a graça é o prazer de existir. Intransitivamente. Como a Beleza e o Amor.

Como a Beleza e o Amor me lembra que sou eternamente grato às minhas Mulheres.

Eternamente que não vem de tempo. Eternamente vem de “ausência de tempo”, sem o parâmetro tolo do passado ou do futuro.

Um irmão me disse uma vez: se é Amor, é Eterno.

E eu concordo perfeitamente.

As vezes sou muito grato por existir. Aprendo cada dia a ser mais o que eu Sou. Sem desejar outras coisas além do que as coisas são.

Sabendo que a vida é AÇÃO. Não importa o que você queira. Importa o que você faz.

E só se faz uma coisa quando se faz ela INTEGRALMENTE.

Integralmente que não vem de dedicação exclusiva a uma causa, mas que vem de estar completo diante do mundo: cabeça, coração e corpo.

Um Homem que respeito me disse uma vez: “Os mestres vivem no presente absoluto”.

E é verdade.

Não importa o que sou, porque não sou nada. Cada um é. Nós SOMOS. Intransitivamente.

Por isso não importa quanto mude, ainda é a mesma coisa. Por isso que as definições matam. Por isso que ZEN é o que não tem nome.  Porque a VIDA não tem nome. Ela é viva.

Sou o que sou e mudo a cada instante. Não cabe na lógica. É a falta de lógica que nos permite vislumbrar um pequeno feixe de liberdade de ser, um breve gosto de VIDA.

Breve (antiga)

Quão Pretensioso sou eu
Tentando ser Despretencioso.
Quão absolutamente certo
Da mais completa e desesperadora Incerteza.

É ridículo o quanto não consigo controlar quem eu Sou…
Talvez porque a manifestação do Ser em Si não requeira qualquer controle…
A propria espontâneidade é o que deve ser…
Qualquer outra tentativa é mentir a si mesmo.
Não consigo fugir de trás dos meus olhos,
Mas também não tenho me permitido me entregar a Mim mesmo.

As melancolias, dos que acham belas a desgraça e a fraqueza, me cansam.
As euforias, com que os comerciantes de todos os tipos tentam nos seduzir, também.
Gosto do silêncio dos que sabem do que falam.

Aos Amigos e Amigas

Como diz um poeta, meu amigo e mestre:

“Ontem li quase duas páginas de um poeta místico. E ri como que tem chorado muito. Os poetas místicos são filósofos doentes. E os filósofos são homens loucos.” – ou algo que o valha.

O fato é:

Há muito cansei de ser teórico, e se não o faço é por completa incapacidade da minha mente de fugir ao hábito, aliada a doses de vaidade mesquinha.

Hoje cansei dos poetas. Há muito detesto os falsos artistas, os artistas de vaidade, os imbecís auto-eróticos, e todos os que se divertem vomitando suas mentiras e formam grupelhos de escória mental.

Odeio todos os medíocres e os falsos pretensos não-medíocres.

Aos verdadeiros poetas, deixo a minha mão e o meu espírito, como fazemos com os irmãos mais novos a quem amamos, e em quem vemos potenciais até maiores do que os nossos.

Mas hoje…hoje…entendi o limite dos poetas.

Os poetas enxergam a vida que os filósofos tentam descrever,

E que os medíocres nem enxergam ou sabem que vive neles.

Mas ainda assim os poetas caem. Caem porque ninguém pode “Ser” transitivamente.

Porque, às vezes, os poetas querem continuar poetas. Querem ser poetas. O que é belo, mas triste.

Entendam, poetas, meus irmãos amados:

Eu quero ser poesia.

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