Audição não é ouvir a coisa
Mas, é a detecção da vibração.
Olfato não é cheirar a coisa
Mas, a detecção da presença da substância
Visão não é enxergar a coisa
Mas, é o toque da Luz onde somos sensíveis.
E a Dor?
A Dor é o Tato da destruição.
Tudo é tato. Menos a Consciência.
Mas, quem é você que não sou eu?
Qual é a linha, se tudo se toca?
E o Sofrimento?
Todo Sofrimento é filho de um Desejo
- Já ensinava Buddha.
Você que não sabe quem eu sou:
Guarda a sua cegueira de Mim
Que eu não tenho motivos para sustentar identidades
Nem para os outros que invento ser para mim mesmo
Nem para o outro que sou nos seus olhos.
Que eu me sinto livre
Quando não tenho nada do que me libertar
Que eu já não preciso responder a sua cegueira
Que a minha vida só vale a pena
Pelo que valha a minha Morte.
Andei andando por todos os lados…
Se por vezes fui Louco,
Outras vezes fui Bardo
E essa Dama a quem tento
Só lamento que tardo.
Deveras, mui tempo,
Me livrei de meu fardo
Contudo, te lembro:
Se em Carinhos eu Vento,
Em Carícias eu Ardo.
Por isso…Aceita.
Se perdi…foi só o prazo.
Eis a carne pálida frente a minha Boca
Que a saliva esquálida e a voz já rouca
Anunciam a fusão dos desejos
A que dia será que vem Ela?
E essa pele, essa pele, que poupa,…
Tempestade vestida de roupa,
Das andanças imorais dos meus Beijos.
E a Pele de Lua veio toda Marcada
De tintas, e mentes e histórias
De fantasmas passados caçada
Inflamando-me antigas glórias.
Há uma estrada laranja no céu
É o Sol…
Mas se foi.
Estímulo no nervo óptico
Convenção do que eu acho ótimo.
E uma linha passeia no papel
Buscando olhar a linha laranja
Que a pouco pairava no céu.
E o que brota nessa névoa, esse véu
Que move minha mão; minha mente?
Inspirada a dançar, pra que tente…
Traduzir o laranja do céu…no papel.